Setas paralelas, atadas, assanhadas.
E o sol se punha...
Já é gente, mãos nas mãos e dentes contentes.
Abraçam-se, beijam-se, amarram-se.
Mas não com cordas ou soldas,
Apenas com a vontade de ali ficar e admirar a mais nova escuridão da mais nova noite.
Setas contrárias, pesando para cada lado de uma mesma rede.
Setas retas, agora intrínsecas, desvairadas em seu próprio torpor.
O sol morreu,
E lá vem a lua.
Já é gente, mãos nos seios da face, língua entre língua, cortes com as unhas.
Engolem-se, suprem-se, desnudam-se...
Mas não consigo,
Apenas com o desejo de desejar mais, de tornar-se insaciável.
Fome.
Sede.
Encanto.
Cheiro.
Dor.
Amor.
(Fernanda Isobe)

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