__ Anteontem, fui vítima de uma tentativa de assalto. Em um bairro tranquilo, considerado de classe média. Crianças brincavam na rua e não passavam das 18h. Eu voltava da Universidade.
__O assaltante, não conseguiu levar a bolsa pois agi da única maneira que eu SABIA - até aquele momento - que nunca agiria: reagindo. Em questão de segundos, pedi pra ele não levar a bolsa, segurei com força quando ele tentou puxá-la, me afastei dele e comecei a falar alto. Isso chamou a atenção dos que estavam na rua e ele foi pego. Apanhou. Para a maioria, apanhou pouco. Mas apanhou. Cada um queria descontar um pouquinho de sua força física naquele corpo, naquela cara delinquente. Depois, ensanguentado, me pediu desculpas.
__Levado para a Seccional em minha companhia, de meu pai, e de dois policiais, o assaltante deu algumas explicações enquanto esperávamos a viatura que o levaria em casa para buscar seus documentos e um responsável. É, ele era menor de idade.
__No caminho, o menino pedia, em meio a sangue e lágrimas, para que não fosse levado para sua casa, e sim para a casa de uma tia. Ele estava com vergonha de seus vizinhos e de sua mãe. Ao chegarmos em sua casa, choro. Choro não por medo, como pensou meu pai, mas de tristeza.
__Na varanda da casa, estava uma jovem na companhia de umas 5 crianças. Elas tinham entre 4 e 7 anos de idade, aproximadamente, todas descalças, sujas e risonhas. Era a irmã do menino. Seu rosto, seu olhar... Nada que eu escreva poderá exprimir o que eles me mostraram naquele momento. Ela simplesmente não podia acreditar.
__A casa era paupérrima e, pelo visto, a história do menino se confirmaria. Depois, conversando com sua mãe e irmã - que me perguntaram se eu tinha certeza que tinha sido ele - eu soube de sua história: Sua mãe lava roupas e faz faxina, seu pai conserta Mobiletes, ele trabalhava desde os 7 anos de idade vendendo 'bombons' e aos 12 começou a vender sombrinhas.
__Pouco tempo atrás, foi morar com o tio em uma cidadezinha 'litorânea' mas voltou para a capital, pois as vendas estavam fracas. Na volta - acredito que pelo cançaso - adormeceu no ponto de ônibus e teve sua mercadoria e seus pertences roubados (irônico, não?). Depois disso, nunca mais conseguiu reaver o capital para voltar a vender as sombrinhas, então, começou a trabalhar com o pai, dividindo o tempo com as aulas do colégio e do curso profissionalizante - segundo a mãe.
__Dois dias antes de tentar me assaltar, discutiu com ela quando esta teve que lhe dizer que não tinha dinheiro para ele comprar novamente a mercadoria e voltar para o seu 'ponto'. No dia seguinte, ele ainda pergunta: "Mãe, a senhora não vai me dar mesmo o dinheiro?". Depois de respondê-lo e de ter ido buscar a filha mais nova na escola, ela só o viu novamente quando chegou na viatura.
***
__No dia seguinte ao assalto, ainda temerosa, fui à Universidade. Em meio aos corredores, enquanto corria para chegar atrasada à uma aula, passo por dois universitários que comentavam sobre a onda de assaltos que a mídia tem mostrado. Todos realizados por menores.
__A frase que ouvi quando passaram ao meu lado foi: "...ninguém vira ladrão da noite pro dia..."
Será?
__Dos policiais, escrivãs e delegada eu ouvi: "A única solução é um buraco no meio da testa desses moleques. Eles não tem mais jeito"
Será?
__No fim, penso que, se for assim mesmo, não há mais esperança para o país, para a sociedade e para meu futuro como profissional. Para o meu e para o de tantos outros que são obrigados pelas circunstâncias, a ainda acreditar no Ser Humano.
(Maryana Santana)

Muuuuuuuuuuuuuito show! XD
ResponderExcluir[E TEM que ser verdade - q é show! - eu nao costumo comentar em blogs.
soakpsakkspoask
ulha! =p
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