Um deles, neste momento, definha. Contorceu-se, chorou, esperneou... Foi esmagado. Levou um soco. Um tiro e dois golpes pelas costas. Viu a si mesmo numa poça de lama. Nessa lama, parte de seus sonhos, aspirações, esperanças e a idéia de algo que seria seu novamente. De perto, vê-se uma cara deformada e um silêncio de morte que assusta de tão negro e ensurdecedor. De longe, só uma massa disforme que tenta resistir e prende a respiração, temendo ser sua última.
O outro, deleita-se no futuro. Suspira, sorri, saltita, flutua... Está mais leve do que qualquer coisa e mais confiante que nunca dantes. De longe, escuta-se seu palpitar acelerado, como quem corre pra querer voar. Aliás, olhando bem de perto, até se vê um par de asas famintas por liberdade e um sorriso mais que aberto, que anseia por encontrar seu par.
Dois corações. Dois extremos. Duas dores. Duas flores.
E, assim, me ponho a caminhar.
(Maryana Santana)

Que lindo!
ResponderExcluirSenti uma identificação extrema.