E por falta de espaço, ocuparia todos os espaços. Deixava tudo fora do lugar. Em cada canto um pedacinho seu. Perdia coisas no caminho. Enxia-se de ar. Estufava. Falava alto, gritava, gargalhava: fazia o som ocupar todo o espaço. Aumentava seus contos, supervalorizava seus planos. Se fez grande e enquanto ocupava, esvaziava-se. Até o momento que percebeu que seu espaço não seria medido por coisas no caminho, nem sequer pelo tamanho de seus braços. Então ela deixou a lupa de lado. Decidiu se desfazer daquilo que transformava tudo em espaçoso. Havia ficado sem espaço. Perderia todo seu lugar. E tudo isso foi no mesmo dia em que soube que nada ocupa todos os espaços. A não ser a luz. Então, passou a brilhar.
(Mariana Nunes)

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